Quem Ama a Feia
27/12/2006 12h34min
Eurico de Andrade - eurico2005@gmail.com

     Ele entra no baile. Bitelo dum salão. Gente muita balançando o esqueleto e esfregando coisa com coisa. Mancebo olha pra cá, olha pra lá... imbica meio cambaleante rumo duma loirinha toda sirigaita.
     - Bamo dançá?
     - Vô nada!...
     - Vamo, sá!...
     - Vô nem vê! Tô ca perna dueno, sô!
     Loirinha refugou convite. O moço bêbado, bafo espantante. Ele era gente de fora e mais feio que filhote de urubu cagado. Chama mais uma dama, mais outra e... nada. Nem a neguinha do cabelo alisado com alisaton e nem a loura oxigenada com uma pintona no queixo e catinga de cecê. Depois de várias tentativas encontra aquela que mais parecia um barril: baixinha, barrigudinha e cinto apertadinho segurando as banhas. Nem precisa falar que era feia. Medonha. Estava num cantinho do salão, olhando pra cá e pra lá, aguardando um corajoso. O nosso herói vendo-a assim, toda largada, diz pra si mesmo: "é com ela que eu vô". Menina atende rapidinho ao piscado do feioso e saem os dois rodopiando pelo salão. Cai aqui, cai ali, equilibra de cá, equilibra de lá, até que se ajeitam e entram num acordo dançante. E o feioso pensando: "tô feito!... é feia, mas dá uma boa meia sola... depois dum fim de noite cumigo ela pode até ficá apaixonada..."  Aí a feiosa dama, para azar seu, resolve arrumar assunto.
     - Ocê num é daqui, num é memo?
     O mau hálito represado que saiu da boca da feia foi tanto que deixou o bêbado meio desorientado, já que era só acostumado com o bafo da canjebrina. E sem entender de onde vinha tanta fedentina, abaixou o cangote e cochichou no ouvido da sua paixão baixinha:
     - Arguém peidaro!...
     - Mas num fui'eu! - Respondeu precipitada a gordinha toda desorientada.
     - Ih!!!... sujô!... peidaro de novo!...



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