
Sou Cabra da Peste
Daniel Fiuza Pequeno
Sou um cabra da peste,
Eu vim lá do ceará,
Macho arretado do nordeste,
Comendo farinha e jabá.
Eu Sou um homem normal,
Num gosto de falar besteira,
Trago de um lado o punhal,
E do outro uma peixeira.
Vim pra São Paulo viver,
Deixei a minha terrinha,
Só vim pra sobreviver,
Lá trabalho eu não tinha.
Aqui fiquei meio abestado,
Com tanta gente na rua,
Povo sério e apressado,
Come carne quente e crua.
É prédio pra todo lado,
Quase Não se vê o céu,
É tudo cinza e apagado,
Fiquei triste, andei ao leu.
Um dia tomei cachaça,
E fui passear na cidade,
Vi uma mulher na praça,
E fui matar a vontade.
Nesse dia eu briguei,
E acabei foi com fome,
Quando cheguei e olhei,
A mulher era um homem.
Fique meio atrapalhado,
E dei porrada pra valer,
Eu era novo insensato,
E tinha muito a aprender.
Nesse dia, quase fui preso,
Veio policia e coisa e tal,
Com muita sorte sai ileso,
Mas a mulher passou mal.
Fui trabalhar vendendo livro,
Coisa muito difícil de vender,
Logo descobri que não sirvo,
Outra coisa fui aprender.
O que mais sentia saudade,
Era da comida e do mar,
Aquilo é que era cidade,
Só pensava voltar pra lá,
Mas conheci uma paulista,
De olhos verde e sincera,
Gamei, num perdi de vista,
Era a mulher mais bela.
Daí foi um amor louco,
Muito carinho e paixão,
O que falar vai ser pouco,
Quem sabe é meu coração.
Casei e sou bem feliz,
Com dois filhos paulistanos,
O menor se chama William,
O mais velho Fabiano.
To por aqui há muitos anos,
Só de casado, vinte e dois,
Mas penso, faço meus planos,
Voltar pra terrinha depois.
Gosto das coisas do nordeste,
Como buchada de bode,
Angu, rabada do agreste,
Peixada, com pimenta forte.
Sucos de tamarindo, murici e cajá,
Cajuína, cajuada, mocororó de caju,
Pitomba, Graviola, ciriguela e ingá,
Ata, carambola, e o gostoso umbu.
Vivo bem na paulicéia,
Mas não esqueço o ceará,
Se não mudar minha idéia,
Um dia volto pra lá.
Vendo tudo e vou-me embora,
Depois de ganhar uns trocos,
Monto uma barraca sem demora,
E vou viver vendendo coco.
Ficar na praia trabalhando,
Sem camisa e de chinelo,
Olhando as meninas passando,
É essa a vida que eu quero.
Eu vim lá do ceará,
Macho arretado do nordeste,
Comendo farinha e jabá.
Eu Sou um homem normal,
Num gosto de falar besteira,
Trago de um lado o punhal,
E do outro uma peixeira.
Vim pra São Paulo viver,
Deixei a minha terrinha,
Só vim pra sobreviver,
Lá trabalho eu não tinha.
Aqui fiquei meio abestado,
Com tanta gente na rua,
Povo sério e apressado,
Come carne quente e crua.
É prédio pra todo lado,
Quase Não se vê o céu,
É tudo cinza e apagado,
Fiquei triste, andei ao leu.
Um dia tomei cachaça,
E fui passear na cidade,
Vi uma mulher na praça,
E fui matar a vontade.
Nesse dia eu briguei,
E acabei foi com fome,
Quando cheguei e olhei,
A mulher era um homem.
Fique meio atrapalhado,
E dei porrada pra valer,
Eu era novo insensato,
E tinha muito a aprender.
Nesse dia, quase fui preso,
Veio policia e coisa e tal,
Com muita sorte sai ileso,
Mas a mulher passou mal.
Fui trabalhar vendendo livro,
Coisa muito difícil de vender,
Logo descobri que não sirvo,
Outra coisa fui aprender.
O que mais sentia saudade,
Era da comida e do mar,
Aquilo é que era cidade,
Só pensava voltar pra lá,
Mas conheci uma paulista,
De olhos verde e sincera,
Gamei, num perdi de vista,
Era a mulher mais bela.
Daí foi um amor louco,
Muito carinho e paixão,
O que falar vai ser pouco,
Quem sabe é meu coração.
Casei e sou bem feliz,
Com dois filhos paulistanos,
O menor se chama William,
O mais velho Fabiano.
To por aqui há muitos anos,
Só de casado, vinte e dois,
Mas penso, faço meus planos,
Voltar pra terrinha depois.
Gosto das coisas do nordeste,
Como buchada de bode,
Angu, rabada do agreste,
Peixada, com pimenta forte.
Sucos de tamarindo, murici e cajá,
Cajuína, cajuada, mocororó de caju,
Pitomba, Graviola, ciriguela e ingá,
Ata, carambola, e o gostoso umbu.
Vivo bem na paulicéia,
Mas não esqueço o ceará,
Se não mudar minha idéia,
Um dia volto pra lá.
Vendo tudo e vou-me embora,
Depois de ganhar uns trocos,
Monto uma barraca sem demora,
E vou viver vendendo coco.
Ficar na praia trabalhando,
Sem camisa e de chinelo,
Olhando as meninas passando,
É essa a vida que eu quero.




